Relato de uma enfermeira: cuidar de um paciente acamado

Como detalhes no cuidado de pacientes fazem a diferença

Ser enfermeira em um local onde 100% dos pacientes são críticos e precisam de cuidados paliativos, faz surgir questionamentos que te colocam por vezes na posição e com o olhar dele.

Imaginar-se com básculas atrás de si, sem ver o dia, imaginar-se inconsciente. O que é afinal estar inconsciente ? Qual o sentido que fica na inconsciência? As vezes eu lia textos em busca destas respostas. Bom, para uns a audição era o último sentido que se perdia. Vamos! Passei a caprichar neste requisito.

Eu me formei em 1998, fui morar no Espírito Santo. Desde então já queria trabalhar na UTI, por isso me esforcei e aprendi a mexer em todos os aparelhos daquele hospital Universitário. Um hospital escola ímpar , tinha uma chefe espetacular que batia o olho nos residentes e pacientes e identificava os problemas imediatamente. Aquilo me fisgou!

Eu queria muito e, então, fiz todos os cursos pra aprender a ser assim também. Ser uma boa enfermeira e me aproximar dos pacientes, conversar com eles, queria implementar e me diferenciar. Queria estar além da parte técnica, da parte que todo mundo sabia e via, diziam até que eu era “garota do tempo”, pois eu conversava com os pacientes em coma, dizia quem eu era, que dia era aquele, como estava o dia lá fora. Tínhamos mesmo uma conversa.

Lutava pelas pequenas coisas, pela coberta no frio, pela roupa ou a falta dela. Afinal, a maior parte dos pacientes ali no Hospital não falavam, não olhavam, muitas vezes, tinham dor e não se expressavam, seus órgãos comprometidos não funcionavam e, sim, eram substituídos por máquinas e, estas, monitoradas por nós, às vezes os pulmões, rins ou, até mesmo, o coração.

Era preciso não deixar nunca que os pacientes fossem secundários. No meio de tantas atividades, banho no leito, curativo, sinais vitais, cateterismo, parada cardíaca, balanço hídrico, faturamento, passagem de plantão, sempre havia tempo para lembrar que eram seres humanos. Ufa! Haja fôlego para estes heróis e profissionais da área da saúde.

E o que representa isso para o paciente, em termo de problemas?

A falta de roupas para muitas senhoras que durante toda vida nunca sequer ficam expostas nem para seus maridos e, de repente, naquele período de internação, em um momento crucial da vida, onde naturalmente ninguém se prepara para estar, é sentida como uma exposição muito grande.

Os ditos donos do saber, não percebem essas pequenas “vergonhas” e as deixam com os seios expostos ou as põem com homens para tomar banho de leito, muitas vezes essas senhoras entubadas, neste momento, põem as mãos nos seios, como reação de proteção. O profissional às vezes não percebe este ato como uma reação a exposição e entende, na maioria das vezes, como uma agitação, um “ perigo” podendo conter as mãos do paciente, amarrando-as a grade lateral da cama, e no mais triste caso, dando sedativos para “acalmar”.

Sobre ter seguido o caminho certo, tenho certeza. Um certo dia estava eu na cantina no horário de lanche e uma pessoa veio ao meu encontro e disse: “Obrigada!”, mas eu não entendi a razão do agradecimento.
Ele então me explicou que foi um paciente  e estava reconhecendo a minha voz na minha conversa e que queria me agradecer por dizer a ele todos os dias o “Bom dia” enquanto ele esteve internado na UTI e que aquele ato o motivava, eu apenas sorri agradecida pelo retorno que a vida me deu naquele momento.

Aqueles 10 anos de experiência e de dedicação me ensinaram a fazer o melhor pelo outro, entregar um pouco de esperança, as vezes com a própria equipe desacreditada e tratar mais as famílias do que o próprio paciente.

Estes momentos compõem o nosso dia a dia e exigem não só equilíbrio emocional, mas também o que há de melhor em nós para o outro. O retorno é a felicidade em forma de sorriso.

Relato da enfermeira Marcelle Muniz

Total Care

A Total Care tem como especialidades a internação de longa permanência, transição e reabilitação de pacientes.
A proposta é a desospitalização de pacientes crônicos, com foco em cuidados paliativos.
A Total Care é pioneira no Espírito Santo nessas modalidades de atendimento, e possui a expertise no cuidado personalizado e humanizado.

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